Mandalas de Peixes: Cores, Formas e Significado

 

As mandalas de Peixes traduzem em forma a energia do último signo do zodíaco. Peixes é o décimo segundo signo, um signo de água mutável, regido por Júpiter na astrologia tradicional e por Netuno na astrologia moderna. Seu símbolo são dois peixes atados por um cordão, nadando em direções opostas — uma imagem de dualidade, de fluxo e de dissolução de fronteiras. Diferente de Aquário, que olha para o futuro com a clareza do ar, Peixes mergulha no presente com a fluidez da água: o signo da compaixão, da intuição e do que não se pode explicar.

Este artigo é um guia simbólico e prático. Vou apresentar o que a tradição astrológica e a história da iconografia associam a Peixes, quais cores e geometrias costumam aparecer em suas mandalas e como criar a sua com método. A proposta não é prometer transformação terapêutica, mas oferecer um espaço de expressão e de atenção. A mandala, aqui, é uma linguagem simbólica: um círculo que organiza a tensão entre o sonho e a realidade.

Se você está acompanhando a série dos signos, vale ler antes o artigo pilar Mandalas dos Signos: Significado, Simbolismo e Como Criar a Sua, que explica a lógica dessa prática contemporânea. E se quiser entender o signo anterior, o artigo sobre Mandalas de Aquário: Cores, Formas e Significado mostra como o fluxo do ar dá lugar, agora, à profundidade da água.

  

Mandala circular em tons de verde-água, lavanda e prata com dois peixes entrelaçados ao centro.
Mandalas de Peixes combinam a fluidez das cores aquáticas com formas que sugerem movimento e dissolução.
SUMÁRIO

  1. PEIXES: O SIGNO DA DUALIDADE E DA COMPAIXÃO

  2. AS CORES DE PEIXES: TRADIÇÃO SIMBÓLICA E PROPOSTA CONTEMPORÂNEA

  3. FORMAS E GEOMETRIA NAS MANDALAS DE PEIXES

  4. O ARQUÉTIPO DO MÍSTICO E A LEITURA SIMBÓLICA

  5. COMO CRIAR SUA MANDALA DE PEIXES: PASSO A PASSO

  6. PEIXES, AUTOCONHECIMENTO E O LIMITE DA INTERPRETAÇÃO SIMBÓLICA

  7. O QUE A ASTROLOGIA É E O QUE ELA NÃO É

  8. PERGUNTAS FREQUENTES

  9. CONCLUSÃO

1. PEIXES: O SIGNO DA DUALIDADE E DA COMPAIXÃO

Peixes é o décimo segundo e último signo do zodíaco tropical. Ocupa os 330° a 360° de longitude eclíptica e é um signo de água mutável, de polaridade feminina e noturna. A tradição astrológica associa Peixes a temas como compaixão, intuição, sonho, espiritualidade, dissolução de fronteiras e o que está além do visível.

A combinação do elemento água com a modalidade mutável é interpretada, na astrologia ocidental, como uma representação de sensibilidade, adaptabilidade e movimento. Em comparação simbólica, Câncer é associado à modalidade cardinal e Escorpião à modalidade fixa, enquanto Peixes representa a modalidade mutável. Essas classificações descrevem características atribuídas aos signos dentro do sistema astrológico, não traços comprovados de personalidade.

A origem do símbolo: tradições mesopotâmicas e mitologia grega

A constelação de Peixes reúne referências de diferentes tradições antigas. Na Mesopotâmia, a região celeste próxima ao atual signo estava relacionada a figuras aquáticas e a constelações cujos nomes e interpretações mudaram ao longo do tempo. A constelação babilônica original nessa área era chamada de “A Andorinha” ou, na parte zodiacal, “As Caudas da Andorinha”. Em Uruk, no período selêucida, a constelação pode ter sido chamada de “Andorinha-Peixe”, e essa imagem foi posteriormente transformada nos “dois Peixes” greco-egípcios. Não é correto tratar a identificação babilônica como equivalente direto e imutável aos dois peixes da tradição astrológica posterior, nem afirmar que a constelação era simplesmente chamada de “A Andorinha” em toda a Mesopotâmia.

Na tradição greco-romana, os dois peixes passaram a ser associados a uma narrativa envolvendo Afrodite (Vênus) e seu filho Eros (Cupido). Em uma das versões, diante da ameaça do monstro Tífon, os dois mergulharam nas águas do rio Eufrates e assumiram a forma de peixes para escapar. A imagem dos peixes unidos por um cordão representa, nessa interpretação mitológica, a ligação entre as duas figuras e a necessidade de permanecerem juntas. Essa narrativa grega foi construída sobre imagens mesopotâmicas anteriores, em um processo de reinterpretação cultural que durou séculos. 

Água mutável, Júpiter e Netuno

Peixes forma com Câncer e Escorpião a triplicidade dos signos de água. A modalidade mutável o distingue dos outros dois: enquanto Câncer nutre e Escorpião transforma, Peixes dissolve e integra. Júpiter, o regente tradicional, acrescenta a dimensão da expansão e da fé; Netuno, o regente moderno, acrescenta a dissolução, a ilusão e a espiritualidade. Arroyo (2013) explica que a combinação de elemento, modalidade e planeta regente é a espinha dorsal tradicional da classificação astrológica. Em Peixes, essa combinação produz uma energia voltada para a transcendência e para a compaixão.

Na tradição da melotesia zodiacal — o sistema que associa cada signo a uma parte do corpo —, Peixes rege os pés. Bouché-Leclercq, em sua obra clássica sobre a astrologia grega, registra que “os Peixes, os pés” era a correspondência estabelecida (BOUCHÉ-LECLERCQ, 1899, p. 583). Spadini (2021, p. 278) confirma que essa associação aparece em fontes antigas e medievais, no contexto da melotesia zodiacal que ligava cada signo a uma parte do corpo. Trata-se de um sistema histórico de correspondências simbólicas, não de uma descrição anatômica ou médica. Os pés são, simbolicamente, o que nos conecta ao chão — e também o que nos permite caminhar para longe dele.-
-

2. AS CORES DE PEIXES: TRADIÇÃO SIMBÓLICA E PROPOSTA CONTEMPORÂNEA

As paletas utilizadas em representações contemporâneas de Peixes costumam explorar tons aquáticos e suaves. O verde-água, a lavanda, o lilás e o violeta podem ser escolhidos para sugerir fluidez, imaginação e espiritualidade. A prata também pode ser incorporada como recurso visual associado ao reflexo e à luminosidade.

Essas cores são propostas de interpretação artística inspiradas no repertório simbólico do signo. Não existe uma paleta universal ou cientificamente estabelecida para Peixes, e as associações podem variar conforme a tradição astrológica e a abordagem visual adotada. A referência a James R. Lewis (2003) é útil para contextualizar o sistema astrológico, mas não comprova, por si só, que ele associe exatamente essas cores a Peixes.

O verde-água e a fluidez

O verde-água é a cor do mar raso, da espuma que cobre a areia, da água que ainda guarda a luz do sol. Em Peixes, ele representa a fluidez e a capacidade de se adaptar sem perder a essência. É uma cor de dissolução suave, não de ruptura.

A lavanda e a espiritualidade

A lavanda é a cor da intuição, do sonho e da conexão com o invisível. Em Peixes, ela acrescenta a dimensão espiritual e mística: a capacidade de perceber o que está além da superfície. É uma cor de silêncio e de escuta.

A prata e a dualidade

A prata é a cor da lua e do reflexo. Em Peixes, ela representa a dualidade — os dois peixes, as duas direções, o consciente e o inconsciente. A prata não é o brilho do ouro, mas o brilho suave do que reflete.

Para quem vai desenhar, a sugestão é trabalhar com uma paleta de três a cinco tons: um verde-água como base, uma lavanda para os elementos de sonho, uma prata ou branco para os espaços de respiro e, se quiser, um violeta para os detalhes que sugerem profundidade. O contraste deve ser suave, não abrupto.

Se você quer se aprofundar na simbologia das cores nas mandalas, o artigo Simbologia das Cores nas Mandalas traz um panorama mais amplo.

3. FORMAS E GEOMETRIA NAS MANDALAS DE PEIXES

A geometria de Peixes é a geometria da dissolução. Diferente da montanha de Capricórnio, que se ergue em linhas verticais, Peixes pede formas que fluam: curvas sinuosas, formas orgânicas, espirais que se abrem, círculos que se sobrepõem. As associações abaixo são escolhas composicionais contemporâneas, não um sistema tradicional fixo de mandalas de Peixes.

Os dois peixes e a dualidade

O símbolo do signo são dois peixes atados por um cordão. Em uma mandala, essa imagem pode ser representada por duas formas curvas que se entrelaçam ou que se espelham, unidas por uma linha central. A dualidade não é oposição; é complementaridade.

A vesica piscis e o encontro

A vesica piscis é a forma de amêndoa criada pela sobreposição de dois círculos de mesmo raio, cada um passando pelo centro do outro. Essa definição geométrica é confirmada por estudos publicados no Nexus Network Journal, da Springer (FLETCHER, 2015). A origem histórica da forma é incerta, mas ela aparece em diferentes culturas e foi amplamente utilizada na arquitetura e na arte cristã.-

Em uma mandala contemporânea inspirada em Peixes, a vesica piscis pode ser utilizada como recurso composicional para representar visualmente o encontro entre duas formas. Sua associação com o signo é uma escolha artística baseada na relação visual e etimológica com os peixes, não uma correspondência tradicional obrigatória da astrologia.

As ondas e o fluxo

As linhas onduladas, como as de Aquário, também aparecem em Peixes, mas com uma diferença: em Peixes, as ondas são mais suaves e orgânicas, menos elétricas. Elas representam o fluxo da maré, o movimento da água que cobre e revela.

O círculo aberto e a dissolução

Peixes é o signo da dissolução das fronteiras. Em uma mandala, isso pode ser representado por círculos que não se fecham completamente, ou por formas que se desfazem na periferia. O centro não é um ponto fixo, mas um espaço de onde tudo flui.

Não existe uma regra rígida. O importante é que a composição transmita a ideia de fluxo, de dualidade e de dissolução.

4. O ARQUÉTIPO DO MÍSTICO E A LEITURA SIMBÓLICA

Em leituras simbólicas contemporâneas, Peixes é frequentemente associado ao arquétipo do Místico ou do Sonhador. Esse arquétipo está ligado à intuição, à compaixão, à conexão com o invisível e à capacidade de dissolver os limites do eu. Não se trata de uma categoria da psicologia analítica de Jung, mas de uma interpretação que dialoga com a tradição junguiana.

O peixe como símbolo em Jung

Em Aion: Estudos sobre o Simbolismo do Si-Mesmo, Carl Gustav Jung dedica um capítulo ao signo dos Peixes (Capítulo VI, “The Sign of the Fishes”) e investiga o simbolismo do peixe na tradição cristã e em outras manifestações culturais. A obra aborda a relação entre Cristo e o arquétipo do si-mesmo, além da ambivalência do símbolo do peixe, que aparece associado tanto a imagens de salvação quanto a imagens de perigo. Aion não é uma obra dedicada exclusivamente ao simbolismo do peixe; é um estudo sobre a fenomenologia do si-mesmo, a simbologia cristã, a religião e a alquimia.-13

É importante não confundir essa investigação com uma tipologia psicológica dos indivíduos nascidos sob o signo de Peixes. Jung não estabeleceu que essas pessoas possuam uma personalidade mística ou determinada pela posição astrológica. Sua análise trata da história e da interpretação dos símbolos, não de um diagnóstico ou classificação psicológica dos signos.

A sombra: fuga e dissolução

Em uma interpretação simbólica contemporânea, o arquétipo do Místico também pode ser explorado por seus possíveis excessos. Em Peixes, a sombra pode se manifestar como fuga da realidade, vitimização e dificuldade de estabelecer limites. A compaixão pode se tornar sacrifício excessivo; a intuição, desconfiança do que é concreto. Nas mandalas, esse tema pode ser trabalhado simbolicamente: o fluxo não deve ser tão intenso que arraste tudo; a dissolução não deve ser tão completa que impeça a forma.

Essa é uma leitura simbólica, não um diagnóstico. A astrologia não é ciência, e Jung não desenvolveu uma tipologia astrológica validada. O que ele fez foi explorar símbolos que aparecem em diversas culturas. A mandala, por sua vez, não cura. Ela pode ser um espaço de expressão e de reflexão.

Se você quiser entender melhor como Jung via as mandalas, o artigo Carl Jung e a Psicologia das Mandalas aprofunda essa relação.

5. COMO CRIAR SUA MANDALA DE PEIXES: PASSO A PASSO

Criar uma mandala de Peixes não exige material caro nem habilidade artística avançada. O processo abaixo é uma sugestão, não uma regra.

Materiais básicos

Papel de gramatura média (120 g ou mais), compasso, régua, lápis de grafite, borracha, lápis de cor ou canetas pigmentadas em tons de verde-água, lavanda, prata e, se quiser, violeta. Se preferir, use aquarela ou marcadores.

Os seis passos

Passo 1 — O centro. Marque o ponto central da folha. Com o compasso, desenhe um círculo pequeno ao redor desse ponto. Esse será o núcleo, o ponto de origem do fluxo. Se desejar uma composição mais simétrica, divida o círculo em quatro ou oito partes com o auxílio da régua e do compasso. Essas linhas serão guias para distribuir os elementos e poderão ser apagadas depois.

Passo 2 — Os dois peixes. A partir do centro, desenhe duas formas curvas que se entrelaçam ou que se espelham, como dois peixes atados por um cordão. Não se preocupe com a simetria perfeita; a dualidade de Peixes é orgânica.

Passo 3 — As ondas. Trace linhas onduladas que se abrem para a periferia, como correntes de água. Elas podem ser suaves ou mais marcadas, contínuas ou interrompidas.

Passo 4 — A vesica piscis. Se quiser, desenhe dois círculos que se sobrepõem, criando a forma de amêndoa no centro. Ela representa o encontro e a dissolução das fronteiras.

Passo 5 — As cores. Aplique as cores em camadas. Comece pelo verde-água como base, adicione a lavanda nos elementos de sonho, use a prata ou o branco nos espaços de respiro. O violeta pode aparecer em pequenos detalhes.

Passo 6 — O contorno. Se quiser, reforce os contornos com caneta pigmentada. Faça isso com calma, respeitando o ritmo da mão.

O tempo de execução

Uma mandala simples pode levar de 30 a 60 minutos. Uma mais elaborada pode levar algumas horas, distribuídas em sessões. Essa é uma estimativa editorial, não uma duração padrão ou garantida. O importante é não transformar o desenho em uma obrigação.

Se você quer um guia mais detalhado sobre o desenho de mandalas, o artigo Como Desenhar Mandalas: Passo a Passo para Iniciantes cobre os fundamentos.


Mandala com dois peixes entrelaçados e forma de vesica piscis em tons de verde-água e lavanda.
Os dois peixes e a vesica piscis sugerem a dualidade e o encontro de Peixes.

6. PEIXES, AUTOCONHECIMENTO E O LIMITE DA INTERPRETAÇÃO SIMBÓLICA

Peixes é o signo da pergunta sobre o que está além. A prática de desenhar uma mandala de Peixes pode ser uma oportunidade para observar como você lida com a dualidade e com a dissolução: o que você une, o que você separa, o que você deixa fluir.

A mandala como espaço de dissolução

Não se trata de resolver a vida de uma vez. Trata-se de dar forma ao fluxo. Ao desenhar dois peixes, você materializa a dualidade. Ao desenhar uma vesica piscis, você materializa o encontro. Ao desenhar uma onda, você materializa o movimento.

O que a prática não é

Essa é uma prática de atenção, não de terapia. A mandala não substitui acompanhamento psicológico, e não há evidência de que ela trate transtornos. O que ela oferece é um espaço de pausa e de expressão simbólica. Para quem se identifica com a energia de Peixes, esse espaço pode ser particularmente ressonante.

Se o seu interesse é o autoconhecimento por meio das mandalas, o artigo A Mandala como Espelho da Alma aprofunda essa perspectiva. E se você quer explorar a relação entre mandalas e meditação, o artigo Mandalas e Meditação traz outras reflexões.


7. O QUE A ASTROLOGIA É E O QUE ELA NÃO É

A astrologia é um sistema simbólico com uma história cultural rica. Ela não é uma ciência natural, e não tem o mesmo tipo de evidência empírica que sustenta a psicologia baseada em evidências ou a medicina. Dizer que “Peixes é regido por Netuno” é uma afirmação dentro de um sistema de correspondências, não uma lei da física.

O zodíaco como código cultural

Isso não invalida a experiência de quem encontra significado pessoal nesse sistema. Os signos funcionam como um repertório simbólico que evoluiu historicamente e continua presente na cultura contemporânea. Algumas correntes astrológicas fazem previsões, mas essas interpretações não devem ser confundidas com previsões cientificamente validadas. Neste artigo, a astrologia é utilizada como linguagem simbólica para inspirar a criação artística e a reflexão pessoal.

O limite da proposta das mandalas

A mesma cautela vale para as mandalas. Elas são uma ferramenta de expressão e de concentração. Não curam ansiedade, não tratam depressão e não substituem tratamento. Atividades de desenho e colorir podem ser investigadas como práticas de expressão e concentração, mas os resultados de estudos realizados em contextos específicos não permitem afirmar que todas as mandalas produzam os mesmos efeitos. Também não é possível concluir que uma mandala inspirada em Peixes trate ansiedade ou depressão. O artigo Colorir Mandalas Reduz a Ansiedade? O Que a Ciência Mostra detalha essa evidência, que deve ser lida com cautela e não substitui a consulta aos estudos originais.

Dentro desse limite, as mandalas de Peixes são um convite à criação e à reflexão. Nem mais, nem menos.


Mãos desenhando uma mandala de Peixes com lápis de cor em tons de verde-água e lavanda.
A prática de desenhar mandalas de Peixes pode ser um espaço de reflexão sobre dualidade e dissolução.


8. PERGUNTAS FREQUENTES

O que significa a mandala de Peixes?

A mandala de Peixes é uma criação simbólica que combina a estrutura circular da mandala com elementos associados ao signo: os dois peixes, a vesica piscis, as ondas e a ideia de dissolução. Não é uma mandala tradicional de alguma escola específica; é uma prática contemporânea de expressão.

Quais cores usar em uma mandala de Peixes?

As cores frequentemente utilizadas em representações contemporâneas de Peixes são o verde-água, a lavanda, o lilás e a prata. O violeta e o azul-esverdeado também podem aparecer. Essas são propostas de interpretação artística, não uma paleta universalmente estabelecida pela astrologia histórica.

Como desenhar uma mandala de Peixes?

Comece pelo centro e pelos dois peixes. Depois, desenhe as ondas e, se quiser, a vesica piscis. Aplique as cores em camadas, começando pelas mais claras. Não há regra rígida; o processo é uma sugestão.

Mandalas de Peixes funcionam para ansiedade?

Não há evidência de que mandalas de Peixes, especificamente, tenham efeito sobre a ansiedade. A prática de colorir ou desenhar mandalas pode estar associada a reduções em medidas de ansiedade em alguns contextos, mas sem superioridade consistente sobre outras atividades criativas. Mandalas não substituem tratamento.

Qual a diferença entre mandala de Peixes e as outras mandalas de signos?

A diferença está no repertório simbólico utilizado. Cada signo tem suas cores, formas e arquétipos associados. Peixes enfatiza os dois peixes, a vesica piscis, as ondas e a paleta aquática. Aquário, por exemplo, enfatiza as ondas, o hexágono e o azul elétrico. O artigo pilar Mandalas dos Signos explica essa lógica em detalhe.

Preciso acreditar em astrologia para criar uma mandala de Peixes?

Não. A mandala pode ser criada como exercício estético e simbólico, independentemente de crença. A astrologia, nesse contexto, funciona como um repertório de formas e cores, não como uma exigência de fé.

Posso usar a mandala de Peixes em meditação?

Sim, se for útil para você. A mandala pode servir como objeto de foco visual. No entanto, ela não é necessária para a meditação, e a prática meditativa não depende dela. Se você quiser explorar a relação entre mandalas e meditação, o artigo Mandalas e Meditação traz outras reflexões.

Com que frequência devo desenhar mandalas de Peixes?

A frequência depende da sua rotina e do seu prazer na atividade. Não há uma recomendação científica específica. O ideal é que a prática não se torne uma cobrança.

Mandalas de Peixes têm relação com o arquétipo do Místico?

Sim, simbolicamente. Em leituras simbólicas contemporâneas, Peixes é associado ao arquétipo do Místico ou do Sonhador, ligado à intuição, à compaixão e à dissolução das fronteiras do eu. Essa é uma interpretação dentro de um sistema de correspondências, não uma tipologia psicológica validada cientificamente nem uma categoria da psicologia analítica de Jung.

Qual a relação entre Peixes e Netuno?

Na astrologia moderna, Netuno é o planeta regente de Peixes. Netuno está associado à dissolução, à ilusão, à espiritualidade e à compaixão. Júpiter é o regente tradicional. Essa associação é uma convenção simbólica dentro da tradição astrológica, não uma relação causal comprovada pela ciência.

9. CONCLUSÃO

As mandalas de Peixes são uma porta de entrada para a linguagem simbólica da dissolução. Os dois peixes, a vesica piscis, as ondas e as cores suaves compõem um repertório que convida à reflexão sobre dualidade, compaixão e transcendência. Ao desenhar, você não está fazendo terapia nem prevendo o futuro: está criando um espaço de atenção e de expressão.

Se você se identificou com a proposta, o próximo passo pode ser experimentar. O E-book 50 Mandalas para Colorir oferece uma introdução leve à prática, com desenhos prontos para imprimir. Para quem quer aprender a desenhar do zero, o Curso Mandalas para Todos ensina o processo com método e estrutura.

Conheça os cursos e materiais para aprender e praticar mandalas

Sobre este artigo:
Autoria: O Segredo das Mandalas.
Nota editorial: Este artigo apresenta uma síntese informativa de estudos e tradições simbólicas sobre Peixes, astrologia e mandalas. As evidências citadas têm limites e não comprovam efeitos terapêuticos universais.
Base editorial: A seção histórica apoia-se em estudos sobre história da astrologia, iconografia e mitologia (Snodgrass, 1997; Lewis, 2003). A seção simbólica apoia-se na tradição astrológica e na psicologia analítica, com distinção explícita entre conceitos junguianos e interpretações contemporâneas.
Critério editorial: O artigo diferencia evidência científica, interpretação simbólica e orientação prática, deixando claro quando uma afirmação se baseia em estudo e quando pertence ao campo da experiência individual.
Aviso: Este conteúdo tem caráter educativo e informativo. Não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento profissional de saúde ou psicologia.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS — versão corrigida

ARROYO, Stephen. Astrologia, Psicologia e os Quatro Elementos: uma abordagem astrológica ao nível de energia e seu uso nas artes de aconselhar e orientar. 2. ed. São Paulo: Pensamento, 2013. (p. 47-52)

BARRALLO, Javier; GONZÁLEZ-QUINTIAL, Francisco; SÁNCHEZ-BEITIA, Santiago. An Introduction to the Vesica Piscis, the Reuleaux Triangle and Related Geometric Constructions in Modern Architecture. Nexus Network Journal, v. 17, n. 2, p. 671–684, 2015. DOI: 10.1007/s00004-015-0253-9. -1

BOUCHÉ-LECLERCQ, Auguste. L’Astrologie grecque. Paris: E. Leroux, 1899. (p. 583)

JUNG, C. G. Aion: Estudos sobre o Simbolismo do Si-Mesmo. Obras Completas, vol. 9/2. Petrópolis: Vozes, 2012. (Capítulo VI: “O Signo dos Peixes”; parágrafos 127-149)

LEWIS, James R. The Astrology Book: The Encyclopedia of Heavenly Influences. 2. ed. Detroit: Visible Ink Press, 2003.

SNODGRASS, Mary Ellen. Signs of the Zodiac: A Reference Guide to Historical, Mythological, and Cultural Associations. Westport: Greenwood Press, 1997.

SPADINI, Fabio. Female or Male Desire? Astrological Gems and Procreation. In: HARICH-SCHWARZBAUER, Henriette; LÄMMLE, Cédric Scheidegger (eds.). Women and Objects in Antiquity. Trier: WVT, 2022. p. 267–293. Disponível em: https://doi.org/10.5281/zenodo.8171755. Acesso em: 30 out. 2026. 



Nenhum comentário: