Colorir Mandalas Reduz a Ansiedade? O Que a Ciência Mostra

 

Mandala circular colorida em tons de azul e verde com lápis de cor sobre uma mesa.
A ciência investiga se colorir mandalas pode ajudar a reduzir a ansiedade.


Colorir mandalas reduz a ansiedade? A pergunta é comum e merece resposta baseada em evidências. Nos últimos anos, livros de colorir para adultos viraram fenômeno editorial, e a atividade passou a ser divulgada como ferramenta de relaxamento em aplicativos, vídeos e materiais terapêuticos. Diante disso, muitas pessoas que convivem com ansiedade passaram a se perguntar se a prática realmente ajuda.

A resposta exige mais do que opinião. Existe pesquisa científica sobre o tema, e ela merece ser conhecida com transparência. Este artigo vai apresentar o que os estudos realmente mostram sobre a relação entre colorir mandalas e ansiedade. Vou explicar o que foi investigado, quais foram os resultados e o que isso significa para quem pratica.

Se você está começando agora no universo das mandalas, vale ler antes o artigo O que são Mandalas: Significado e Fundamento, que traz as bases históricas e simbólicas dessa arte.

SUMÁRIO

  1. O QUE A CIÊNCIA JÁ INVESTIGOU SOBRE MANDALAS E ANSIEDADE

  2. O ESTUDO QUE COMPAROU MANDALAS E DESENHO LIVRE

  3. O QUE OUTROS ESTUDOS MOSTRAM

  4. POR QUE A MANDALA NÃO É SUPERIOR AO DESENHO LIVRE

  5. O QUE ISSO SIGNIFICA PARA QUEM PRATICA

  6. O QUE A CIÊNCIA AINDA NÃO SABE

  7. PERGUNTAS FREQUENTES

  8. CONCLUSÃO

1. O QUE A CIÊNCIA JÁ INVESTIGOU SOBRE MANDALAS E ANSIEDADE

A pesquisa sobre mandalas e ansiedade cresceu na última década. O interesse acompanha a popularização da prática, especialmente depois que livros de colorir para adultos se tornaram fenômeno editorial. Diante disso, pesquisadores começaram a investigar se a atividade realmente produz efeitos mensuráveis sobre a ansiedade.

Os estudos costumam usar instrumentos padronizados para medir ansiedade. Um dos mais comuns é o State-Trait Anxiety Inventory (STAI), que distingue a ansiedade-estado — aquela que sentimos em um momento específico — da ansiedade-traço, que é uma característica mais estável da personalidade. Essa distinção é importante porque a maioria dos estudos investiga a ansiedade-estado: o quanto a pessoa se sente ansiosa imediatamente antes e depois de colorir.

Outra característica comum é a comparação entre grupos. Os pesquisadores geralmente dividem os participantes em dois ou mais grupos: um que colore mandalas, outro que realiza alguma atividade de controle — como desenhar livremente, colorir um círculo vazio ou simplesmente descansar. A pergunta central é sempre a mesma: colorir mandalas reduz a ansiedade mais do que as outras atividades?

Uma revisão sistemática publicada em 2024 por Zhang, Liu e Huang analisou 11 estudos, com 405 participantes. Os autores encontraram evidências preliminares de possíveis benefícios da arte com mandalas, mas concluíram que os benefícios terapêuticos permaneciam incertos devido às limitações das pesquisas disponíveis.

Se você busca orientações práticas para conviver com a ansiedade no dia a dia, o artigo Mandalas para Ansiedade reúne sugestões nesse sentido. Este texto, por outro lado, concentra-se nas evidências científicas e em suas limitações.

Por que a evidência de 2024 é considerada preliminar

A revisão de Zhang, Liu e Huang não demonstra que mandalas funcionam. Ela sustenta uma conclusão de incerteza. Essa distinção é fundamental: uma revisão sistemática pode identificar resultados promissores sem que isso signifique confirmação definitiva.

A qualidade dos estudos incluídos era limitada. Muitos tinham amostras pequenas, falta de cegamento e heterogeneidade elevada. Por isso, os autores classificaram a evidência como preliminar.

2. O ESTUDO QUE COMPAROU MANDALAS E DESENHO LIVRE

Um dos estudos mais relevantes sobre o tema foi publicado em 2022 por Siri Jakobsson Støre e Niklas Jakobsson, na revista Art Therapy. A pesquisa é uma revisão sistemática com metanálise, considerada um dos tipos mais robustos de evidência científica porque reúne e analisa estatisticamente os resultados de vários estudos.

Os autores buscaram sistematicamente estudos que comparassem colorir mandalas com desenho livre em adultos. Oito estudos atenderam aos critérios de inclusão, totalizando 578 participantes — 289 no grupo de mandalas e 289 no grupo de desenho livre.

O resultado principal foi que colorir mandalas não reduziu a ansiedade-estado de forma significativamente maior do que desenhar livremente. Os autores também observaram efeitos maiores nos estudos com menor precisão, um resultado compatível com possível viés nas estimativas.

Portanto, a pesquisa não demonstrou uma vantagem específica da mandala em relação ao desenho livre. Isso não prova que as duas atividades sejam equivalentes em todas as situações; indica que, com os dados analisados, não foi possível estabelecer uma superioridade significativa das mandalas.

A conclusão dos pesquisadores foi direta: não foi encontrada evidência de superioridade da coloração de mandalas sobre o desenho livre. Eles também destacaram que mais estudos de alta qualidade são necessários antes que recomendações confiantes possam ser feitas.

Esse resultado pode parecer decepcionante para quem espera que a mandala tenha um efeito especial. Na verdade, ele ajuda a delimitar o que a pesquisa permite afirmar: não foi demonstrada uma vantagem significativa da coloração de mandalas em relação ao desenho livre. Embora ambas as atividades possam estar associadas a mudanças na ansiedade, os dados disponíveis não permitem determinar com segurança quais componentes da experiência explicam essas mudanças.


Desenho de mandala e desenho livre lado a lado, com lápis de cor sobre a mesa.
Ilustração de duas atividades criativas: colorir uma mandala e desenhar livremente. A revisão científica não encontrou superioridade significativa da mandala na redução da ansiedade-estado.

3. O QUE OUTROS ESTUDOS MOSTRAM

O estudo de 2022 não é o único. Outras pesquisas investigaram a relação entre mandalas e ansiedade em contextos variados. Conhecer esses estudos ajuda a formar um panorama mais completo.

Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2026 por Liu e colaboradores reuniu nove ensaios randomizados com 648 participantes de 55 anos ou mais. Os resultados indicaram menores sintomas de ansiedade (SMD = −0,95) e depressão (SMD = −1,21) nos grupos que receberam intervenções artísticas baseadas em mandalas, em comparação com as condições de controle. No entanto, a heterogeneidade entre os estudos foi substancial (I² = 85% para ansiedade e 84% para depressão), e os autores classificaram a certeza da evidência como muito baixa. Esses resultados são promissores, mas ainda não permitem afirmar com segurança qual é a magnitude do benefício nem generalizá-lo para todas as faixas etárias e situações.

Outra metanálise, conduzida por Pehlivan e Dalli em 2026, reuniu 17 estudos com 987 adultos hospitalizados para avaliar os efeitos da coloração de mandalas sobre sintomas psicológicos e fisiológicos. Na análise específica da ansiedade, nove estudos contribuíram para o resultado combinado, que indicou redução nas medidas avaliadas (SMD = −2,16), com heterogeneidade extremamente elevada (I² = 97%). Os autores, porém, classificaram a certeza da evidência como baixa, e os resultados devem ser interpretados com cautela. Como a pesquisa se concentrou em pacientes hospitalizados, suas conclusões não podem ser generalizadas automaticamente para a população em geral.

Há também estudos que investigam mecanismos. Um ensaio randomizado com 60 estudantes universitários, publicado por Chang e colaboradores em 2026, encontrou que tanto a coloração de mandalas quanto a coloração de um círculo vazio reduziram a ansiedade ao longo do tempo, sem diferença significativa entre os grupos. No entanto, o grupo que coloriu mandalas apresentou uma alteração na potência alfa frontal no eletroencefalograma. Essa alteração foi observada, mas não comprova, por si só, que a mandala produziu um estado superior de relaxamento ou um mecanismo terapêutico específico.

Em conjunto, essas pesquisas sugerem que intervenções artísticas baseadas em mandalas podem estar associadas a reduções nas medidas de ansiedade em contextos específicos, como a hospitalização e o envelhecimento. Entretanto, os estudos variam quanto à população, ao tipo de atividade e às condições de comparação. A certeza da evidência continua limitada, e os resultados não demonstram que colorir mandalas seja superior a outras atividades criativas em todas as situações.

Se o seu interesse inclui condições específicas, os artigos Mandalas e Depressão e Mandalas e Burnout exploram como a prática se relaciona com outros quadros emocionais.

4. POR QUE A MANDALA NÃO É SUPERIOR AO DESENHO LIVRE

A pergunta que surge é: se a mandala não é superior ao desenho livre, por que tanta gente relata que ela ajuda mais? Existem algumas explicações possíveis, mas elas devem ser entendidas como hipóteses, e não como mecanismos comprovados.

A primeira é a estrutura. A mandala oferece um caminho pronto: você não precisa decidir o que desenhar, apenas preencher as formas. Isso remove uma barreira comum — a folha em branco. Para quem tem dificuldade em começar uma atividade criativa, a mandala funciona como um guia. Mas isso não significa que a mandala em si tenha um efeito terapêutico especial; significa que ela pode facilitar o engajamento na atividade.

A segunda é a expectativa. Muitas pessoas chegam à mandala já acreditando que ela vai ajudar. Essa expectativa pode influenciar a percepção de bem-estar, independentemente do efeito real da forma. É o que os pesquisadores chamam de efeito placebo — não no sentido de engano, mas como parte legítima da experiência subjetiva.

A terceira é a atenção. Tanto a mandala quanto o desenho livre exigem foco. A pessoa precisa escolher cores, respeitar contornos, preencher espaços. Esse processo ocupa recursos cognitivos que, em uma mente ansiosa, estariam voltados para a preocupação. Uma interpretação possível é que parte da experiência de alívio esteja relacionada à própria atividade: escolher cores, acompanhar formas e dedicar atenção a uma tarefa criativa.

No entanto, essas explicações devem ser entendidas como hipóteses, e não como mecanismos comprovados ou exclusivos das mandalas. Os estudos disponíveis ainda não permitem determinar com segurança quais componentes da prática contribuem para as mudanças observadas.

O artigo Mandalas e Atenção Plena explora essa relação entre foco, presença e prática contemplativa.

5. O QUE ISSO SIGNIFICA PARA QUEM PRATICA

A primeira conclusão prática é que não há evidência suficiente para afirmar que colorir mandalas seja superior ao desenho livre na redução da ansiedade-estado. Se você gosta de mandalas, a estrutura pode facilitar o início da atividade. Se prefere desenhar livremente, essa também pode ser uma forma de expressão criativa. A escolha pode considerar sua preferência pessoal, sem pressupor que uma modalidade tenha eficácia superior à outra.

A segunda conclusão é: a prática pode ser útil como recurso complementar de bem-estar, mas não substitui tratamento. Os estudos investigam contextos específicos — pacientes hospitalizados, adultos mais velhos, estudantes — e não permitem generalizar para qualquer pessoa. Além disso, nenhuma das pesquisas sugere que a prática trate transtornos de ansiedade.

A terceira conclusão é: a experiência individual importa. Se colorir ou desenhar ajuda você a desacelerar, essa experiência pessoal pode ter valor como atividade de bem-estar. Ainda assim, não é possível atribuir esse efeito a um único componente da prática, nem garantir que a mesma experiência aconteça com todas as pessoas.

Como sugestão prática, e não como conclusão científica, reservar de 10 a 20 minutos em um horário fixo para colorir ou desenhar, sem outras distrações, pode ajudar a criar um ritual de pausa. A experiência individual varia, e o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra.

Se você quer entender como integrar a prática a uma rotina de cuidado, o artigo Mandalas e Autocuidado traz outras reflexões.


Mãos colorindo uma mandala no papel com lápis de cor sobre uma mesa.
A prática pode ser um recurso complementar de atenção e expressão, sem substituir tratamento.

6. O QUE A CIÊNCIA AINDA NÃO SABE

Apesar do avanço das pesquisas, muitas perguntas permanecem sem resposta. A ciência ainda não sabe, por exemplo, se a prática com mandalas produz efeitos duradouros sobre a ansiedade ou se o benefício é apenas momentâneo. Também não sabe se os efeitos variam conforme o tipo de mandala, o tempo de prática ou o perfil da pessoa.

Outra lacuna é a comparação com outras atividades. Ainda são necessárias pesquisas que comparem intervenções baseadas em mandalas com outras atividades de bem-estar, utilizando métodos consistentes e amostras adequadas. Sem evidências comparativas suficientes, não é possível estabelecer se a prática oferece benefícios semelhantes, inferiores ou superiores aos de outras estratégias.

Por fim, a qualidade metodológica dos estudos ainda é limitada. Muitos têm amostras pequenas, falta de cegamento e heterogeneidade elevada. Isso significa que os resultados precisam ser lidos com cautela.

7. PERGUNTAS FREQUENTES

Colorir mandalas reduz a ansiedade?

Alguns estudos encontraram redução em medidas de ansiedade em contextos específicos, especialmente entre pacientes hospitalizados e adultos mais velhos. No entanto, a certeza da evidência é limitada, e a mandala não se mostra superior ao desenho livre.

Qual a diferença entre colorir mandalas e desenhar livremente?

Uma revisão sistemática de 2022 comparou as duas atividades e não encontrou superioridade significativa da mandala na redução da ansiedade-estado. A estrutura da mandala pode ajudar algumas pessoas a se engajarem mais facilmente, mas o efeito principal parece vir da atividade em si.

Mandalas substituem terapia para ansiedade?

Não. A escolha do tratamento mais adequado para transtornos de ansiedade depende de avaliação profissional. Mandalas podem ser um recurso complementar de bem-estar, mas não substituem acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou médico.

Quanto tempo devo praticar?

Os protocolos variam entre os estudos, incluindo sessões breves de aproximadamente 10 a 20 minutos e intervenções realizadas em diferentes frequências. Ainda não há uma duração ideal estabelecida para reduzir a ansiedade. Se quiser experimentar, comece com um período confortável para você, sem tratar o tempo de prática como uma prescrição terapêutica.

Existe alguma cor específica para ansiedade?

Não existe um esquema universal. Azuis e verdes são frequentemente associados a calma, mas isso é uma associação simbólica e cultural, não uma propriedade comprovada das cores pelos estudos citados. O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra.

Posso colorir mandalas todos os dias?

A frequência depende da sua preferência, da sua rotina e de como você se sente durante a atividade. Você pode incluir a coloração na rotina se ela for agradável, sem transformá-la em obrigação. A prática diária, por si só, não foi estabelecida pelos estudos citados como requisito para reduzir a ansiedade.

Posso usar mandalas durante uma crise de ansiedade?

Depende da intensidade. Se a ansiedade estiver muito alta, pode ser difícil se concentrar em qualquer atividade. Nesse caso, a mandala não deve ser apresentada como intervenção de emergência. Ela pode funcionar melhor como prática preventiva ou em momentos de ansiedade moderada.

A ciência comprova que mandalas curam ansiedade?

Não. As pesquisas apresentam resultados preliminares e promissores em contextos específicos, mas não há evidência de que mandalas curem transtornos de ansiedade ou substituam tratamentos.

Colorir mandalas funciona para qualquer tipo de ansiedade?

 Os estudos investigam principalmente a ansiedade-estado — aquela sentida em um momento específico — em contextos delimitados, como pacientes hospitalizados, adultos mais velhos e estudantes. Não há evidência de que a prática trate transtornos de ansiedade. Para quadros clínicos, o acompanhamento profissional é indispensável.

Posso substituir minha meditação por colorir mandalas?

Não há estudos que comparem diretamente colorir mandalas com meditação. O artigo sobre Mandalas e Meditação explora como as duas práticas podem se complementar, mas não há evidência de que uma substitua a outra.

8. CONCLUSÃO

A pergunta "colorir mandalas reduz a ansiedade?" tem uma resposta que exige honestidade. A ciência mostra que a prática pode estar associada a reduções em medidas de ansiedade em contextos específicos — mas não é superior ao desenho livre, e a qualidade da evidência ainda é limitada.

O que isso significa para quem pratica? Que a mandala pode ser um recurso válido de atenção e expressão, mas não deve ser tratada como tratamento. Se colorir ou desenhar ajuda você a desacelerar, essa experiência tem valor, mesmo que a ciência ainda não consiga medi-la com precisão. O que não se pode fazer é transformar essa experiência em promessa universal.

Se você quer explorar outros aspectos da prática, o artigo Mandalas e Equilíbrio Emocional traz outras reflexões. E se o seu interesse é a prática contemplativa, Mandalas e Meditação mostra como integrar o desenho a uma rotina de atenção.

Para quem quer experimentar a coloração como porta de entrada, o E-book 50 Mandalas para Colorir oferece uma opção leve e acessível. Para quem deseja aprender a desenhar do zero, o Curso Mandalas para Todos ensina o processo com método e estrutura.

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Sobre este artigo:
Autoria: O Segredo das Mandalas. Este conteúdo tem caráter educativo e informativo, baseia-se em revisão de literatura científica e não substitui avaliação ou acompanhamento profissional de saúde ou psicologia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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